quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Praia Morena, beleza que encanta, para matar a saudade

      Em Fevereiro acontece o verão angolano. Um verão longo que corresponde ao período das chuvas. Na verdade temos duas estações durante o ano: a do cacimbo que dura cerca de 3 meses a partir de Junho e a das chuvas, o verão,  nos restantes meses. Claro que existem zonas onde se verificam micro-climas. Mas em Fevereiro estamos no verão. Amanhece cedo e o sol se põe lá ao fundo da foto, por trás do morro do sombreiro, pouco depois das 6h da tarde. A foto foi captada entre as 5h30 e as 6h da manhã do primeiro dia de Fevereiro de 2010. Um trecho da nossa emblemática Praia Morena. Garças bucólicas poisadas nos pilares da velha ponte cais, no horizonte o recorte familiar do Morro do Sombreiro, como sentinela vigilante da cidade contra os perigos oriundos das lonjuras dos mares. Encontro-me nas proximidades do ciclo preparatório Cerveira Pereira, onde o director  Kubota fazia as delícias da rapaziada indisciplinada com belos chutes e tabefes bem aplicados, com sobremesa de puxões de orelhas. Prá quê aplicar suspensões se a gente pode resolver como homens, não é? Os meninos são repetentes.. Construiram-se novas escolas, reabilitaram-se outras,  mas inexplicavelmente o Ciclo e o Liceu estão uma lástima, abandonados à sua sorte, mete dó, depois falaremos disso.
      Na paisagem faltam os barcos à vela dos pescadores do Quioche, sulcando suavemente as águas da baía para a faina do cachuchu. À esta hora eles não estão no mar, porque pescaria tem hora. Sucede que eles partem à tardinha e regressam pela madrugada. Agora chegam com menos peixe no bojo das chatas fabricadas localmente. Os cachuchus que trazem, parecem ter sido apanhados numa creche, tão pequeninos eles são. Os pescadores nos contam que de noite avistam luzes de arrastões grandes no mar e sentem medo de chegar próximo deles, onde está o peixe bom. Não se sabe a quem pertencem, ou talvez se saiba. Eles lançam redes que arrastam mesmo tudo. Têm GPS e sonares que conseguem localizar os cardumes, impossível competir com eles. É por isso que o carapau, dieta infalível nos pratos dos benguelenses ao longo de gerações, quase não se vê nos dias de hoje. O Ministério das Pescas decretou uma pausa na sua pesca, a ver se o carapau retorna...para os nossos pratos, comprados à porta de casa.      
        São quase 6h da manhã do dia 1º de Fevereiro de 2010. Mais um dia que desponta na conquista de todos os dias. Coragem Mwangolé, não vacila.

2 comentários:

Soberano Canhanga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Soberano Canhanga disse...

K belas recordações do passado "recente" e narração do presente.
Do autor desta pág. não se pode esperar outra coisa que não nos toque por dentro. Ai o nosso peixe! O Kikombo tb xtá sem cardumes...