sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Longa Caminhada


                   1983: município do Cubal (província de Benguela)

                              1993: município do Cubal (província de Benguela)

              Hoje, olhando estas fotos, a primeira das quais com mais de 32 anos. Tentando entender o que aconteceu. E porque aconteceu. A saudade que temos é dos valentes camaradas que nos rodearam. A disciplina que tínhamos. A entrega total como contributo humilde para a nossa Pátria tão amada. Estávamos no melhor da nossa mocidade. Os melhores ficaram na Longa Caminhada.
             Foram longos anos. Décadas. Sempre debaixo da mesma bandeira. Quando, felizmente a guerra acabou, em 2002, vieram os "salvadores da pátria", os tais da 25ª hora a reclamarem a parte doce, ostracizando os outros, intrigas, cabalas, etc. Muitos camaradas que lutaram debandaram sem qualquer reconhecimento e até aos dias de hoje clamam por justiça. Outros ficaram na rua da amargura, entregues ao álcool e outros vícios por absoluta falta de alternativa.
            Em 2002 ficamos desamparados e o único consolo que nos acenava era a mesa dos bares para satisfazer curiosos interessados em ouvir "estórias" da guerra. E depois mais uma rodada. E mais outra. O círculo a fechar-se no rodopio diabólico da destruição da integridade pessoal .
            Felizmente uma mão amiga: "Tu tens valor, retoma os teus estudos". Desgraçadamente o amigo também se foi. Era o camarada Paulo Teixeira Jorge. Outros também me deram a mão. Serei eternamente grato a todos que me encorajaram a prosseguir. Hoje, para além de jornalista fiz duas pós-graduações em Direito e sou Advogado. E como prometi à memória do meu avô Jaime Azulay, de quem herdei o nome e a Honra, dou o meu modesto contributo no Tribunal Militar da Região Naval-Sul proporcionando garantias de defesa aos soldados das nossas Forças Armadas Angolanas desprovidos financeiramente. Perdoem o desabafo. Mas de vez em quando o cão tem de ladrar para não ser confundido com uma lagartixa.

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro Jaime Azulay, parabéns por manteres vivas suas memórias inexoráveis. São exemplos como estes de que Angola e Benguela, em particular, muito se irá beneficiar. O passar de testemunho é, a meu ver, um dever intelectual dos mais velhos a favor dos mais novos; tudo isso que nos trazes de quando em quando constitui um enorme e importante património histórico que precisamos de valorizar, re-divulgar e enaltecer. É para mim uma grande honra poder aceder as publicações com que nos brindas. Fazer parte desta selecção "restrita" de leitores seus enche-me de satisfação absoluta.
Em poucas palavras, ou seja, resumindo e concluindo, comandante Jaime Azulay, sua imaculada trajectória de vida inspira-nos e continua a inspirar-nos. És e estou em crer que continuarás a sê-lo um bom e digno exemplo de ser seguido por essa geração da qual faço parte. Estou contigo! É melhor não duvidar...Por Poeta Nkazev
Deus o guie hoje e sempre.

Sara Pedro disse...

Oh meu querido tio quanta emoção ao ler as tuas passagens, tenho a plena certeza que vai ser uma mais valia para esta geração e outras vindouras.
Jaime Azulay um grande homen que sempre procurou dar o seu contributo em tudo que podia... E o voleibol tio?
Sinto-me muito orgulhosa de saber que muito fizeste por esta nação e o meu Bisavo esta super satisfeito com o seu netinho.
Twapandula Tchalwa..

Sara Azulay Teixeira.
Negra de Ombaka.