quinta-feira, 18 de junho de 2015

O Padrinho

Sentado no sofá vou revendo a terceira e última parte da saga "O Padrinho" de Mário Puzzo e do inigualável realizador Francis Ford Coppola. Tudo inicia com a marca imortal de Marlon Brando, quanto a mim o maior artista (não é actor, é artista mesmo) que eu já vi na tela. Ou provavelmente acabe assistindo em pé, como um poste no meio da sala, para não correr o risco de adormecer fastidiado por conhecer de cor e salteado o enredo do filme. A trama chega ao fim com o genial Al Pacino nas vestes do patriarca Corleone, o mafioso dos mafiosos. Debilitado e diabético, Corleone tenta agora arrumar a vida direito, mas vai desconseguindo, porque os demónios andam à solta. E ele dá conta disso. Chega a confessar-se ao cardeal-futuro-Papa, revela ter cometido monstruosidades, contudo, não demonstra nenhum arrependimento. Por acaso já assisti a fita. Como numa tempestade, as traições sucedem-se à velocidade de um raio. Dá-se a ascensão de Vicent, seu sobrinho, filho do irmão que ele próprio mandara matar. Vicent chega a namorar uma prima, donzela de inigualáveis atributos, toda ela generosa ternura. Contudo, a sede de poder obriga-o a acatar sem rebuço a ordem do tio. " -Rapaz, deixa a menina em paz e eu te darei todo poder". E assim o sobrinho renuncia ao amor platónico. Engole sofregamente o letal veneno, sem se dar conta que estava a selar um pacto com o diabo. Acto contínuo, Vicent se transforma, meteoricamente, no poderoso Don Vicenzo Corleone. Assim, a dinastia mafiosa segue garantida. Tudo se desenrola no meio de um rosário de assassinatos que, no seu auge atinge a prima amorosa de Vicent. Enquanto isso, Don Altobello dorme o sono do decesso no requintado camarote do teatro. Regalado com uma ópera siciliana ia deglutindo biscoitos envenenados. O vendaval estinge o auge. Nem o Papa recém empossado consegue safar-se. Também ele morre, no seu quarto no Vaticano, após ingerir uma taça de chá adoçado com cianeto. Na máfia é assim, quem entra, não pode sair quando lhe apetece, sentenciou irado D. Corleone, tentando justificar a purga. Como numa cadeia de predadores, na máfia, uns vão comendo aqueles que os precedem antes de serem comidos por aqueles que os seguem. Ainda bem que é filme. UFA!!

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