terça-feira, 17 de novembro de 2009

Futebol: Equipas de Benguela baixaram de divisão, e agora?

    
Os adeptos do futebol e o povo da província de Benguela ainda não conseguiram digerir a triste realidade: A Académica do Lobito e o Primeiro de Maio de Benguela, equipas que disputaram o último girabola, não conseguiram permanecer entre os grandes, no termo do campeonato. A Académica ficou logo afastada por não ter conseguido pontuação, enquanto o Maio ainda teve a oportunidade de disputar uma "liguilha" que apurou e repescou duas equipas para a I divisão. As nossas não conseguiram. Foram despromovidas.
     Agora estoirou o verniz e todos gritam. Os mais avisados dizem que o descalabro do desporto na província começou de há uns anos a esta parte. Andebol, voleibol, xadrêz (Benguela teve 2 campeões africanos de juniores). No volei e andebol vários títulos nacionais. O Próprio Maio que agora navega nas águas da amargura, já foi campeão nacional e vencedor da Taça de Angola. Tempos bons! Maluka, Fusso, André, Sarmente, Mira, Daniel. Tudo agora veio por água abaixo. Restava mesmo o futebol, tal "Ópio do Povo", que agora também foi à vida, justo no ano que a nossa amada província ganhou um estádio novo que é uma verdadeira banga e outros três completamente remodelados. Agora fica como? Os brincalhões aproveitam a deixa: depois do CAN os estádios ficarão para jogos do gira-bairro ou partidas para veteranos, vulgarmente chamadas de "tira-barriga", nas quais os jogadores bebem cerveja durante o intervalo e os suplentes têm disponíveis caixas térmicas em frente ao banco carregadas de fresquinhas, enquanto as panelas de caldo e sarrabulho estão em lume brado na casa de algum patrocinador.
     O que causou comoção, foi o ver o vice-presidente do Primeiro de Maio, o nosso amigo Rui Araújo, chorar baba e ranho de todo tamanho frente às câmaras de TV, após o empate com o Kabuscorp do Palanca, no último Domingo e que ditou o afastamento. Disse que as autoridades do país, deveriam ponderar a situação de Benguela que ele chamou de "especial". "O nosso governo não pode aceitar que Benguela, uma província tão importante, fique sem nenhuma equipa no campeonato da I Divisão, porque senão, vai acontecer vermos cabritos a comerem a relva no novo estádio e nos outros" e isso não é bom para a imagem do país, lamuriou o pobre do nosso amigo que, segundo as más línguas, chegou a pedir a intervenção da Presidência da República, para intervir administrativamente na permanência do Maio no Girabola por "razões e interesses superiores do Estado". Se o povo não fôr ao campo ao Domingo, as pessoas vão começar a pensar noutras coisas, como a política por exemplo e "isso também não é bom para nós, porque o povo já anda meio descontente com alguns mambos que estão a suceder".
    Então, como ficamos tio Rui? Onde está a verdade desportiva? Não é o desporto a arena por excelência para se forjarem Homens de verdade? Os tais, que podem ser úteis para um país que procura o Amanhã-Que-Está-Sempre-Por-Vir?
     Altamente pressionado pela sociedade, o director provincial dos desportos veio anunciar para finais do mês de Novembro um encontro para "vermos onde falhamos e trabalharmos em conjunto para fazer renascer a mística de Benguela no desporto". Granda lata! A direcção de desportos virou, de há uns bons anos a esta parte, a sua bússula para outros Nortes, que não a defesa do desporto. O que estamos a ver a consequência e não a causa. Por favor Pedro Garcia, poupe-nos. Foste um bom atleta, bom defesa, muita classe, mas no dirigismo desportivo estás como um esquimó perdido no deserto do Sahara.
    Chamem os verdadeiros homens do desporto, aqueles que amam verdadeiramente o desporto e eles estão aí: Norberto Batista, José Rocha, Bertelim Nelson, o Cardoso, o João, o Pepp Santos, o Mário Neves. Corramos com os paraquedistas que vieram para o desporto como autênticos "caça-níqueis". Ali sim, é que vamos ver, como dizia o Minguito.
    Enquanto isso...VIVA O CAN 20010 !

2 comentários:

armando coelho disse...

Tenho imensa pena que o futebol em Benguela passe por uma crise profunda. Faltam pessoas interessadas na formação não só de equipas como de jogadores. Eu ainda sou do tempo(1976/78) que levantámos o Benfica de Benguela com o Faro, Kota Caratão, Marta e Baião. Tiram-nos o clube para psteriormente dar lugar ao 1º de Maio, também fundado pelo meu irmão Joca Reigadinha e Juca Gregório e outros e deu no que deu...Tenho saudades dos clubes que fundei como os "Kuringas no futebol salão e Yè-Yé no de Onze e jogávamos na misssão no defeso do futebol oficial.Também joguei no Belenenses da Kamunda no Sporting do Kacintura, Bangú do Cassoco, Flamengo da Massangarala e até no Bairro da Fronteira.A vida é assim mesmo...continua, mas com outros.Esperamos boas notícias do CAN.
Grande abraço
Armando Reigadinha

chipilica Eduardo disse...

o poeta q nao e poeta

e preciso um grande tabalho,deixar a vaidade e finjir de trabalho.Sem apoio de empresa e de cada um de nos isso continuara assim.quase me esqueceria ,onde anda o futebol escolar?