sábado, 2 de janeiro de 2010

Viagem até Luanda de carro e uma noite em branco numa pensão da baixa


     Por razões profissionais tive de deslocar-me à Luanda e não houve tempo (conhecem Luanda, não?) para meter nada no nosso blogue. Acabei por suportar lá a passagem de ano, precisamente no quarto nº 5 de uma pensão de 3ª categoria, a pagar quase 200 dólares pela noite não dormida. Fiquei até as 23horas do dia 31 numa fila de um posto de combustível para reabastecer o carro. Depois, chegado à  pensão, ansioso para retemperar as forças, tomei contacto com o surpreendente calvário. Com a pressa com que estava, quando recebi as chaves do quarto e poisei a pasta, não cheguei a dar conta que o colchão era mais pequeno que o estrado da cama. Resultado: com 1,94 m de altura, fiquei com os pés de fora do colchão, numa postura  imprópria para o sono de qualquer mortal. Agravado com o facto dos lençóis, também pequenos, não se fixarem aos extremos. Rápido me achei deitado directamente sobre o colchão, o que me  causou uma impressão horrível. Viam-se nódoas e manchas de fluidos abundantes e conhecidos  vazamentos asquerosos, amplamente timbrados no tecido. O lençol ficou transformado num trapo engelhado, no vira e revira à procura do sono. Foi assim, totalmente desconfortável e deprimido que vi bater a meia noite e entrei para 2010. Sorte ou azar, logo veremos, como disse o ceguinho meu amigo. O certo é que a noite passou branquinha. No corredor, ouvia os incessantes passos trópegos de parelhas humanas cantarolando, rumo aos quartos alugados ao minuto para operações fulminantes, ou à hora, para os rituais mais vorazes. A zona da baixa de Luanda é um autêntico vespeiro de comerciantes de sexo. As pensões estão catalogadas pelas potenciais e habituais clientes. Assim, o menu oferecido contém já o preço do aluguer do palco das hostilidades carnais. E eu que de nada sabia, tadinho. E por cima, tinha uma reunião de trabalho marcada para as 8h30  do primeiro dia de 2010.
     Mas como quem anda com Deus não tem medo de assombração, eis-me aqui, de novo. Deixo-vos, como lembrança da viagem,  uma foto da paisagem deslumbrante da galeria rochosa, no meio da qual o rio Cubal se aproxima da foz, na vila do Quicombo, a 15 quilómetros do Sumbe. A foto foi tomada do cimo da ponte e a luz natural, àquela hora, já não era das melhores... nem o fotógrafo.

3 comentários:

Soberano Canhanga disse...

Oh Jaime,
Não sabias que as pensões em Luanda só servem aos caçadores de sexo ocasional ou "ilícito"? Pela próxima peça referências que te dou boas indicações de hoteis baratos ou pensões menos incómodas onde se possa fazer reserva com indicação de pormenores... Abraço e votos de que 2010 seja melhor!
Bem haja CAN

Canto do souzito disse...

Conheço uma linda e limpa pensão em Luanda, na Rua 11 do Bairro Kassenda, lá não terias, certamente, tais problemas

Raimundo Salvador

Anónimo disse...

aproxima vez vai passar a noite no bar Kimbo, na rerra natal