quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eucaliptos do Alto-Catumbela: Nosso bem ou Nosso Mal?

    Obrigado pela vossa atenção face à notícia sobre a proibição do abate de eucaliptos no Alto-Catumbela, decretada pelo governo da província de Benguela. As observações mostram que o assunto é actual e merecedor de debate. O Nando conhece muito bem o assunto, pois, durante muitos anos trabalhou no ramo. Mas essa zona, que vai da Ganda até ao Lépi e Caála, está coberta por essa mancha verde (eucaliptos e pinheiros), tal como do outro lado, na zona do Alto-Hama.
     Além do perímetro do Alto-Catumbela que servia as necessidades da Fábrica de Celulose e Papel havia (ainda há) o polígono do CFB, mais de 100 milhões de pés, em 1979. Curiosamente, o Alto Catumbela é uma região de micro-clima. É seguramente  a zona de maior precipitação na província e zona de dispersão de águas. O nome Babaera (a sede da comuna) é uma corruptela do umbundo "Ovava-Yela", águas limpas, ou seja, terra de nascentes de águas limpas. Por todo lado despontam fontes de água. Por esse motivo aquele é o troço da estrada nacional Benguela-Huambo que ainda não foi asfaltado. Os engenheiros estão a lutar com o problema.
     Quanto à interdição como tal, os amigos sabem que nós, os angolanos,  temos o mau hábito de agir nos extremos. Padecemos de uma crónica falta de razoabilidade nas nossas acções. Quem abate abate indiscriminadamente. Quem decreta a proibição, proibe pura e simplesmente. Nós herdamos a cultura do mata-mata, desgraçadamente. Penso que o desejável seria que os madeireiros estivessem legalizados, pagando as suas licenças e outras taxas e com zonas de corte determinadas. Porque não uma quota periódica?
     Amigos, verdade verdadinha é que se trata de uma autêntica devastação. Vêm-se clareiras enormes onde antes tudo verdejava. O potencial destrutivo está a superar a capacidade de multiplicação dos eucaliptos. Entre ter uma floresta de eucaliptos ou uma terra inóspita e estéril há que escolher.

3 comentários:

Soberano Canhanga disse...

Sou apologista de que a fábrica de celulose do Lobito deva arrancar. Seja a antiga ou uma nova. O cumprimento de tal desiderato levará à existência de matéria-prima (sejam velhos ou novos eucaliptos).

O razoável, seria, como disse o Jaime, estabelecerem-se cotas de corte e de reposição, uma vez que os eucaliptos são tão úteis qnto os madereios e sua actividade.

Por enquanto a água ainda não é problema e os nossos "predadores" não incomodam nem mesmo à fauna e flora que se desenvolvem em paz total à volta dos bosques...

Julgo que podemos aprofundar, sem prejuízos, o nosso debate sobre o assunto, convidando para esta praça os especialistas em ambiente e ouvirmos de sua razão e ciência o que pensam sobre a predação dos bosques.

Anónimo disse...

A solução é essa mesmo Azulai, razoabilidade. Os eucaliptos estão lá, podem ser um valor acrescentado para a economia e paradoxalmente também acabar sendo úteis ao meio ambiente ao substituir as madeiras nobres, indígenas, de crescimento lento que tantas vezes são abatidas para fins em que o eucalipto serviria perfeitamente. Para o fabrico de pasta já não têm utilidade, porque a sua preparação tornaria a indústria, pouco rentável, improdutiva e muito cara. Além disso uma nova fábrica teria na melhor das ipóteses um orizonte de 10 ou 12 anos. A exploração é pois a melhor solução. Existem várias formas de a levar a efeito, por exemplo passar por vender aos madeireiros licenças de corte de perímetros estabelecidos previamente, para serem explorados em determinado espaço de tempo. O governo obteria as receitas equivalentes e procederia a uma gestão mais adequada dos recursos. O eucalipto é uma árvore de crescimento rápido, originária da Oceânia que não pertence à natureza florestal angolana. Foi introduzida por razões de índole puramente economicistas já conhecidas. Neste caso, o eucaliptal já existe há muito, é um dado adquirido e portanto há que retirar daí todas as mais-valias possíveis. Todavia, não se podem negar as evidências, no eucaliptal não existe vida diversificada, não há intercâmbio biológico nem cadeia alimentar, de que resulta a impossibilidade de sobrevivência das espécies. Experimentem caminhar por entre os eucaliptos, procurem um animal, nem que seja um rato, um sapo ou até um grilo. Procurem uma flor ou uma abelha. Procurem um ninho ou uma ave. Afinal a floresta, tirando as arvores é na verdade um deserto.
Nando

Anónimo disse...

Parece que é um problema o mais grande! Nada é facil como escrever um artigo sobre o problema não conhecida!
É também uma coisa importante o que é idade da floresta eucalipta. A madeira é muito velha já tem sua idade fora! Quer dizer é tarde extrai-la! Segunda coisa é naturalmente a recultivação da mata.
Aquela aqua tratada no artigo é da pouca importancia só. Trata se com pequeno fonte chamado Águas Claras que faz um quadro belo em montanha más importancia mais grande é em rio Catumbela que domina na região.
Finalmente podemos esperar uma atividade de Governo Provincial em organização de plantação das arvores! Porqué proibir não chega! Isso é coisa fácil, más apoiar e organizar é mais complicado!