terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Governo de Benguela proibe abate de eucaliptos no Alto-Catumbela

     O governo da província de Benguela decretou quarta-feira, 24 de Fevereiro, a proibição do abate de eucaliptos no perímetro florestal do Alto Catumbela, na região da Ganda. Nos últimos tempos vimos assistindo a uma devastação da área que outrora pertenceu à Fábrica de Celulose e Papel do Alto-Catumbela, única do género no país, cuja produção paralizou em Março de 1983 devido a instabilidade militar.
      Em Março de 83, quatro dezenas de técnicos estrangeiros e suas famílias foram feitos reféns pela Unita e libertados dois meses depois na Jamba, a base central do movimento. O eucalipto era a principal matéria prima da Celulose e o empreendimento empregava mais de 3 mil pessoas. Era o motor da economia da região. Desde então,  a empresa encerrou as suas portas. Os extensos talhões de eucaliptos se tornaram presa apetecida para grupos de madeireiros sem excrúpulos que montaram acampamentos na zona. Os eucaliptos são cortados de forma intensa por moto-serras e depois enviados para serrações nas cidades de Benguela e do Lobito, um negócio que fugiu ao controlo das autoridades, havendo muita conivência na actividade. Depois de serrada a madeira é contrabadeada para os mercados de Luanda e de outros locais e utilizada para o fabrico de mobiliário, caixões e outros. Tem sido usado igualmente na demarcação de terrenos.
     No Alto Catumbela, o surgimento de inúmeras clareiras, onde existiam densas plantações de eucaliptos e pinheiros chamou a atenção para o grave problema, uma vez que o impacto ambiental resultante da destruição dos perímetros começou a alterar o micro-clima local.

3 comentários:

Soberano Canhanga disse...

Caro Jaime,
A luta para a preservaçào ambiental tb é nossa. É com acções como a sua (divulgando medidas bem tomadas) que a causa vencerá. Temos que pensar no que herdamos e deixaremos como herança. Já vamos mto tarde para deixarmos uma tera melhor aos nossos filhos.
Um abraço

Anónimo disse...

Noticias boas ou más, mas verdadeiras e com importância. Obrigado Jaime. Mas permite-me que discorde um pouco tanto da notícia com do nosso patrício Canhanga.
Primeiro, porque o eucalipto como arvore é quase como uma praga. Consome 25 l de água por dia, envia raízes a dezenas de metros de distância e é absolutamente predador das outras árvores autóctones. Se repararem onde há eucaliptos nada vive, nem plantas nem animais, excepção aos répteis. Essa plantação de eucaliptos chegou a ser uma das maiores do mundo, pois ia da Ganda até bem depois do Huambo. O eucalipto tem restrições á plantação na maior parte os países desenvolvidos e os ambientalistas dedicam-lhe um verdadeiro ódio de estimação. Assim, de ânimo leve poderíamos dizer, bem haja aos madeireiros, acabem com eles. Só que não é assim tão simples. Ao contrário do pinheiro (que também é bom para o fabrico do papel, e bem menos nocivo que o eucalipto) o eucalipto volta a rebentar depois do corte (o pinheiro morre e apodrece). Portanto esses eucaliptos, ou os seus rebentos vão durar dezenas, se não centenas de anos. Claro que não é o corte indiscriminado e abusivo que se recomenda, mas um corte planificado em que o seu legitimo proprietário (Estado) tire benefícios. A questão do fabrico de pasta de papel, presumo eu, não estará no horizonte próximo, porque todo o equipamento e instalações estão absolutamente desactualizados investimento para uma fábrica nova é de muitas centenas de milhões, para não falar das infoestruturas a montante e a jusante. Por outro lado o eucalipto só é produtivo para o fabrico de pasta até aos 8 anos, 10 no máximo.
É minha opinião que o corte em nada prejudica o ambiente, pelo contrário, seria bem melhor que essa mancha florestal não existisse. A única preocupação poderia ser, alguma alteração no volume da precipitação de chuva, mas considerando a água que consomem não sei qual seria o saldo. Penso portanto, que apesar dos danos ambientais que Angola sofreu nos últimos mais de trinta anos, com a desmatação completa nos perímetros urbanos das cidades para o fabrico de carvão e outras necessidades da população, com o abate indiscriminado da fauna e floresta, com a poluição dos rios e mar pelos esgotos e lixo, com a poluição atmosférica nos centros urbanos (Luanda em particular) com milhares de carros e motos que não cumprem minimamente as regras nessa matéria, nada está perdido. Podemos deixar aos filhos e netos um país bom para viver, desde que os eduquemos com responsabilidades ambientais e que quem nos governa não cometa os erros de muitos países desenvolvidos ou em vias e desenvolvimento. O nosso baixo grau e desenvolvimento na área industrial principalmente na indústria química e pesada pode ser neste aspecto uma mais-valia, começar de novo, com boas práticas
Nando

Anónimo disse...

Nando falou e está certo na generaidade.Contudo não podemos esquecer que o Eucalipto faz parte da natureza,logo deixem-no existir.Aproveitem-no para os diversos fins com e devido contrôlo.
Abraços
Reigadinha