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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Guardião Valongo: In Memorian. Dedico a crónica ao Reigadinha sempre a dar coragem, companheiro. Obrigado.

                 Lendário guardião Joaquim Valongo: In Memorian.

Jaime Azulay
     Terça-feira, dia 2 de Fevereiro de 2010. A notícia da desgraça caíu como um raio em dia de tempestade e pela cidade se espalhou como calema de Março na praia morena: morreu o Valongo, o futebol está de luto. Agora acreditamos. Mesmo a agonizar no leito da morte, o veterano guardião esperou que baixassem as cortinas do CAN, a festa do futebol africano que Angola organizou com assinalável êxito e a sua Benguela acolheu uma das fases nbo novo estádio de Ombaka. Joaquim António Valongo, o lendário guarda-redes benguelense, que chegou a ser contratado pelo Benfica de Lisboa na década de 50, foi a enterrar no Cemitério Velho da Camunda. Faleceu na Segunda-feira, dia 1 de Fevereiro, driblado por prolongada doença, no Hospital Provincial de Benguela.
     Futebolista de fina categoria, nasceu no Lobito, bairro de S. Miguel, no dia 7 de Julho de 1931. Desde criança pontapeou bolas de trapos nos areais ao meio dia, vendo a cidade crescer com o porto e com o CFB. Cedo chamou a atenção de quem entende da coisa. Começou a jogar no FC do Lobito no final da década de 40. Foi ali onde se destacaram as excepcionais qualidades que fizeram dele um grande guardião. As suas defesas eram incrivelmente deslumbrantes.
     Naquele tempo, só os melhores dos melhores iam para a metrópole, para a capital do império colonial português. Valongo embarcou para Lisboa e entrou para o plantel do Sport Lisboa e Benfica. A integração aos ares invernais não foi das melhores, como por vezes sucede no futebol profissional. Alguns anos depois Valongo regressa para Benguela. Fica um tempo no seu FC do Lobito e depois começa a defender com brio a baliza do Portugal de Benguela, ao lado de grandes nomes da época, como Edelfride "Miau", os irmãos Lara, Pila, Góia, Botija, Neto, Mateus Kandengandenga e outros. Foi campeão ultramarino de Portugal e provincial nas épocas gloriosas do Sport Clube Portugal de Benguela, anos de 1961/62/63.
     Atinge o estatuto de um dos melhores guarda-redes de Angola, segundo testemunho de futebolistas renomados que o viram jogar. Contam que um dia, durante um jogo renhido, o árbitro assinalou um penalti contra a sua baliza. O batedor do penalti é nada mais nada menos do que o temível Matateu, detentor do remate mais portentoso que alguma vez se vira em Angola, no tempo das chuteiras de traves. O placard acusava 0-0. Então o jogo esquenta. Com o penalti contra o “keeper” Valongo o cenário promete espectáculo. Nas bancadas o público estica as pernas por causa das caimbras, enquanto os deserdados se comprimem na zona do peão, debaixo da sombra de frondosas acácias alfarrobeiras. Matateu coloca, ele próprio, a bola na marca, decidido a pôr fim à fama de matador de penaltis que ostenta o Valongo. A acção começa a rodar, o desfecho é imprevisível. Estão frente-à-frente os maiores ídolos do povo. Toda gente sabe disso. Matateu toma balanço dando uns passos à retaguarda. De repente estaca placidamente com as mãos na cintura, como era seu hábito. Depois suspira um assobio profundo que se ouve em todo campo, como um touro enfurecido. Tudo está parado, excepto umas moscas teimosas enxotadas com o leque das senhoras da tribuna ou esmagadas pelas mãos calosas dos homens suados do peão, que assistem ao jogo em pé. Tio Mukuna, homem truculento e adepto da bola, já falecido, está no peão no meio da multidão, após uma semana a enraiar as rodas das solex na oficina do Seabra e uns copázios de tinto de barril no bar do Sr. Lopes Cacolete ou no escondidinho. Junto a ele estão outros sofrimentos: operários , pescadores e os chamados criados vindos de Caluquembe e que adoravam futebol. O árbitro apita. Matateu larga em direcção à bola como uma flecha. Valongo está na linha de golo, ligeiramente agachado no meio dos postes, como um felino pronto para atacar a presa escolhida. Matateu estoira um monumental petardo direccionado para um dos cantos da baliza, na certeza do golo. Eis que, como se fora feito de borracha, Valongo se eleva no espaço e capta a bola com uma só mão. Com o esférico dominado, ele aplaca suavemente no pelado vermelho do estádio como uma nave trazida pelos anjos. A assistência está electrizada nas bancadas. Nunca ninguém vira nada parecido antes. Matateu, recupera da surpresa e corre para o Valongo abraçando-o com emoção. No fundo, eles eram amigos. Eram irmãos no infortúnio da negritude oprimida. Ofegante, Mata (Matateu) mal consegue balbuciar estas singelas palavras:" És bom, tu és o melhor!". Valongo agradece com um sorriso maroto nos lábios, debaixo de uma ovação vinda simultâneamente das bancadas e do peão, mas não larga o esférico, não ia o matreiro do Matateu roubá-la de caxexe e atirá-la para o fundo das redes e subverter o rumo da história. E quanto à árbitros gatunos, dizem que eles nasceram com o futebol. Quem inventou, inventou os dois.
     O episódio foi recordado, de viva voz, há uns anos, quando o finado Valongo concedeu uma entrevista ao programa "Glórias e Conquistas" do grande futebolista e ilustre radialista Arlindo Leitão. Foi de lágrimas a entrevista. Oxalá tenham guardado o registo da conversa.
     Mais uma lenda de Benguela parte para o Calundo sempiterno. Ali no morro da Camunda, no "Campo da Igualdade", onde repousa a História da nossa inigualável cidade. No cimo do seu túmulo, uma bola de futebol, as luvas de guardião e uma pétala de Acácia-Rubra, o símbolo da inesgotável e singular vitalidade de Benguela, a Cidade-Mãe-das-Cidades. O nosso profundo reconhecimento e as sentidas condolências aos familiares. “És bom, tu és o melhor”. Descanse em Paz Joaquim António Valongo.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

André Nzuzi ao Jornal Dos Desportos: saudades dos velhos tempos

     Os benguelenses que viveram o futebol dos anos 80 certamente se recordam dele: André Nzuzi. Jogador franzino mas de uma raça pouco comum que actuou no lendário Primeiro de Maio de Benguela. Primeiro como meio-campista e depois como lateral direito. Integrou a selecção nacional. Ele mesmo. Concedeu uma entrevista ao diário "Jornal dos Desportos" e deu-nos a conhecer a sua visão sobre o futebol angolano. Ele é treinador da selecção sub-17. O mais interessante, quanto a mim, foi quando o fogoso André falou dos velhos tempos e dos seus inesquecíveis companheiros no Maio: Reigadinha, Fusso, Maluka, Daniel, Sarmento, Fidele, enfim uma pleíade de artistas que a nossa memória regista para a posteridade. Foi bonito ler as palavras do André Nzuzi, remetendo-nos aos gloriosos anos do futebol em Benguela, onde se suava às estopinhas por amor...à camisola. Valeu André, porque existe uma história que tem de ser contada. Por quem a viveu.
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Allah Akhbar, Ombaka também: O Egipto ganhou o CAN 2010

     Temos sim motivos para alegria. O Egipto, a selecção escolhida pelo coração dos benguelenses, conquistou o campeonato africano de futebol CAN Orange Angola-2010, ao derrotar a selecção do Ghana (o carrasco de Angola nos quartos de final) por 1-0, em jogo disputado domingo à tarde no Estádio Nacional 11 de Novembro em Luanda, perante 50 mil espectadores.
     A selecção dos "Faraós" tinha disputado todos os jogos no Estádio Nacional de Ombaka e pudemos dizer que após provar a nossa água do rio Catumbela, seguiu decidida para a final e arrebatou o ceptro. Benguela viu o Egipto derrotar a Nigéria, o Benim, Moçambique, os Camarões e a Argélia e, desde cedo fez por merecer a empatia com os habitantes locais. O jogador Zidan, um dos melhores do torneio, mandou uma mensagem de carinho para os Benguelenses, o que nós agradecemos. Eles estiveram hospedados no "Hotel Luso", uma unidade totalmente remodelada e modernizada. Na sua declaração Zidan destacou o especial atendimento dos funcionários do hotel à sua delegação.
     O Campeonato Africano de Futebol CAN Orange  2010 foi realizado por Angola pela primeira vez na sua história. O torneio durou vinte dias e tinha 16 equipas inscritas inicialmente. O evento ficou marcado por um ataque terrorista da FLEC contra o autocarro da selecção do Togo, quando esta entrava para o território de Cabinda para integrar a série B, oriunda de Ponta Negra (Congo Brazzaville). O treinador adjunto e o assessor de imprensa togoleses pereceram no ataque e o guarda-redes suplente ficou ferido. A equipa retirou-se da competição por ordem do seu governo o que irritou os homens da Confederação Africana de Futebol  CAF, que decidiu aplicar-lhes uma punição de não participação nas duas próximas edições da prova.
     O Egipto arrebatou o troféu pela 3ª vez consecutiva, facto inédito; somam agora 7 títulos: o capitão Hassan recebeu a Taça do Presidente Eduardo dos Santos, ladeado de Joseph Blatter presidente da FIFA  e Yssa Hyatou da CAF. Seguiu-se a cerimónia de encerramento dos jogos, uma cerimónia verdadeiramente espectacular que impressionaou todo mundo e mostrou que os angolanos são capazes de contribuir para a Paz e a Concórdia no Mundo.
Bem Haja CAN 2010!
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sábado, 30 de janeiro de 2010

Egipto VS Argélia: Velha rivalidade jogada no Estádio de Ombaka

      Quinta-feira, 28/01/10. Um dia memorável para os adeptos de futebol que lotaram as bancadas do Estádio Nacional de Ombaka. Nada mais nada menos que as selecções de futebol do Egipto e da Argélia estavam no lindo relvado para discutirem a vaga para a final do Campeonato Africano das Nações que Angola organizou pela primeira vez na sua história. 20h30. O ambiente no estádio era extraordinariamente electrizante. As duas claques foram direccionadas para bancadas opostas.
      Os encontros de futebol entre os dois países do Magrebe têm redundado em verdadeiras crises diplomáticas entre Argel e o Cairo. Estava em causa uma velha dívida a ser saldada, o ajuste de contas de uma longa disputa que remonta aos anos 50 do século passado e que teve o seu epílogo recentemente, num jogo extra disputado em Cartum, no Sudão, no apuramento para o mundial da África do Sul. Quando terminou a fase de grupos as duas selecções estavam tecnicamente igualadas, de tal forma que ficou por terra a possibilidade da aplicação dos habituais critérios de desempate nos jogos disputados e no número de golos marcados e sofridos. Ambas tinham 13 pontos, 5 golos de saldo e 9 a favor. No confronto entre si estavam igualmente quites. Por decisão da FIFA houve que disputar um jogo-extra em terreno neutro. As equipas foram notificadas para escolherem, cada uma, o terreno para a grande batalha. O Egipto escolheria a cidade de Cartum, capital do problemático vizinho do Sul, com a esperança de que as águas do mítico Nilo que banham os dois países levassem sorte aos seus jogadores. Por seu turno, os argelinos optaram por apresentar na proposta a cidade mediterrânica de Tunis, na vizinha Tunísia. Por sorteio, Cartum ganharia a primazia de albergar o histórico confronto. Jogou-se uma partida memorável com grande repercussão internacional, a beliscar as relações diplomáticas entre os dois países. Chegaram a chamar-lhe “o jogo do ódio”. A Argélia levaria a melhor no Sudão e assim ficou entre os competidores da Copa do Mundo a disputar nas terras de Mandela, em Junho próximo. Para o Egipto não apurado, este jogo em Benguela era a oportunidade para a vingança e saber quem afinal manda em África. E no fim o resultado foi favorável aos "faraós" por inusitados 4-0, mas houve barraca e a Argélia terminou o jogo com quatro jogadores a menos, devido a chuva de cartões mostrados pelo árbitro do Benin.
                     Encontros e desencontros magrebinos
      Nos últimos três meses os dois combinados nacionais defrontaram-se por três vezes. No entanto, o histórico de encontros e desencontros políticos e desportivos com fortes incidências nas relações entre as duas nações, remonta aos anos 50 do século passado. Os nacionalistas argelinos combatiam a ocupação francesa do seu território. Um grupo de futebolistas argelinos que actuava em clubes franceses decidiu abandonar as suas equipas e formaram uma selecção para divulgar, por meio do futebol, a causa do movimento independentista da Argélia liderado pela FLN (Frente de Libertação Nacional). Esse “time” defrontou selecções de vários países. O Egipto rejeitaria, entretanto, jogar com eles. O mesmo Egipto que, sob a liderança de Anwar-El-Sadat assinaria com Israel os acordos de paz de Camp-David, em 1978. O reconhecimento de Israel por parte do Egipto despertou uma onda de ódio no mundo fundamentalista islâmico. Pouco tempo depois Sadat seria assassinado. Houve muita crispação na política da região e choveram acusações de cumplicidades. Este ambiente viria a transformar-se num cocktail de ódio que se derramaria no dia 17 de Novembro de 1989. Egipto e Argélia iriam defrontar-se em dois jogos que valiam uma vaga na copa da Itália. Na Tunísia o “placard” regista um rigoroso 0-0. A decisiva partida vai disputar-se no Estádio Internacional do Cairo. Estão presentes 120 mil espectadores, num ambiente de verdadeira loucura. Quando o Egipto se adianta no marcador, com um golo de Hossan Hassan, estala a confusão. Os argelinos cercam o árbitro e exigem a anulação do tento.O juiz não volta atràs e o Egipto vence por 1-0. Mais tarde, as imagens de televisão mostraram que não irregularidade no lance que decidiu a partida. Mas a confusão já se tinha instalado e prosseguiu depois do jogo. Num hotel do Cairo o médico da selecção egípcia ficaria sem um olho durante uma briga. Lakhdar Belloumi, estrela que brilhara no campeonato mundial de 1982 e considerado o melhor futebolista argelino foi indiciado como autor da agressão. Apenas em Abril de 2009 Belloumi seria inocentado, graças a intervenção do presidente Bouterflika. Mas o recalcamento, este continuaria guardado.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Samuel Eto'o manda recado à CAF: Não procurem apenas ganhar dinheiro


    Um torcedor benguelense desfralda um poster de Samuel Eto'o, o intrépido capitão dos "Leões Indomáveis" dos Camarões, num táxi a caminho do Estádio Nacional de Ombaka, para o jogo Egipto-Camarões que terminaria com vitória dos faraós por 3-1. Ao deixar Benguela, o ídolo da juventude africana mandou um recado para os mais-velhos da Confederação Africana de Futebol, la toutte puissante (CAF). Ao dirigir-se aos jornalistas Eto'o louvou Angola pelo investimento na construção de raiz de bons estádios que albergam o CAN 2010. Contudo não poupou aqueles que na Confederação encontram nestes grandes eventos (mais) uma oportunidade para rechearem as suas já volumosas contas bancárias: "-Não se preocupem apenas em ganhar dinheiro, trabalhem para o desenvolvimento do desporto africano". O recado do  craque serve bem de alerta, para que inúmeros talentos desta África portentosa e imensa não fiquem esquecidos nos areais escaldantes dos guethos perdidos e deserdados. Que haja um investimento mais sério no desporto do continente. Que surjam mais talentos para levarem ao mundo inteiro a mensagem de uma África que renasce todos os dias ainda que "por cima da traição dos crocodilos". Bem haja Samuel pela coragem.
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Estádio Nacional de Ombaka: não temos de nos envergonhar de nada


     Terça-feira, dia 12 de Janeiro de 2010. A história registará para todo sempre. Pela primeira vez duas equipas evoluem no relvado impecável  do "Estádio Nacional de Ombaka". Um público verdadeiramente fantástico. 35 mil espectadores e milhares do lado de fora, que acabaram por ver o jogo na área de lazer do parque de estacionamento. Foi a maior e melhor festa já realizada em terras benguelenses. E para constar fica a foto captada no jogo inaugural entre o Egipto e a Nigéria, vencido pela equipa dos "faraós" por 3-1. Jogo do Grupo C que se disputa em Benguela e integra ainda as formações de Moçambique e Benim, que empataram entre si. Paz, alegria, confraternização, para além da competição, é claro. O povo angolano já sofreu demais no passado. Agora tem direito a ser feliz. Ninguém lhe pode retirar esse direito. E o CAN-2010 é Nossa Bandeira.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A CANelada "atípica" do Mali nos palancas

     O CAN-2010 arrancou em Luanda na Segunda-feira dia 10/11. No jogo de abertura aconteceu algo de verdadeiramente fantástico: um empate a 4 golos depois de Angola estar a vencer a sua congénere do Mali por 4-0 até  próximo dos 15 minutos finais. Frederic Kanouté e seus companheiros encetaram uma inusitada recuperação. Os dois últimos golos foram obtidos depois do tempo regulamentar, nos descontos. Com certeza os amigos viram o jogo ou os resumos que as televisões de todo mundo apresentaram. Foi inacreditável! E como as coisas andavam se o jogo se prolonga por mais 1 minuto, seria o descalabro completo. Ninguém duvida que se poderia transformar num cenário avassalador para milhões de angolanos.
     Não vou maçar-vos com a história do jogo, que está plasmada na comunicação social de todo o mundo. Todavia, existe um pormenor que pretendo destacar. Embora os fanáticos existam no futebol, nunca devemos perder de vista que a beleza do desporto consiste precisamente no seu elevado grau de imprevisibilidade. O que assistimos ontem no "Estádio Nacional 11 de Novembro" foi a mais pura manifestação da nobreza intrínseca dessa modalidade que a maior parte dos povos do mundo adoptou como a número um do desporto. "Ganhar com honra e perder com dignidade". Quantas vezes já ouvimos essa frase? Quase se tornou num lugar comum, desprovido de sentido.
     A sinceridade nos obriga a reconhecer que a selecção do Mali proporcionou  uma monumental lição de humildade. A humildade é a principal virtude de um desportista, qualquer que seja a modalidade que pratique. A humildade sublimada na perseverança, na vontade inquebrantável de querer saltar mail alto, correr mais rápido, marcar mais golos. A humildade testada nos limites da adversidade.
     Kanouté e seus companheiros foram surpreendidos com a entrada de rompante dos palancas-negras no meio de um ambiente emocional incrível proporcionado pelo público que lotou o estádio: 50 mil almas a vibrar. Mas os adversários de Angola suportaram a sua cruz com tenacidade. Vergaram mas não quebraram. Em nenhum momento os vi baixarem os braços e abandonarem a luta. Foram para o intervalo serenamente a perder por 2-0. E para quem tenha reparado bem, quando regressaram do balneário, onde certamente ouviram a palestra do seu treinador, reentraram para o relvado trocando informações entre si. Vimos os mais experientes a darem instruções pontuais aos mais-novos e estes os ouviam com atenção.
   O veterano Seidu Keita, apesar da situação estar complicada no terreno não perdeu a compostura e com isso galvanizava os seus companheiros. E como não são uma equipa qualquer, reencontraram-se no momento crucial do jogo, desgraçadamente para a nossa selecção. Nesse instante fatal, veio ao de cima a sua elevada estatura de jogadores profissionais, detentores de espírito de conjunto que se bate por um objectivo comum. Cada um no seu lugar, fizeram a máquina funcionar como um todo, operando a virada ante a estupefacção dos nossos olhares. Do nosso lado reinava a ansiedade desmedida, o excesso de confiança desproporcionado e injustificado, a pressa em fazer as coisas, porque estes "já estão no papo e  venham já os próximos que também vão ser pitados".
    A saída de Gilberto e de Flávio retiraram prematuramente seriedade ao nosso jogo. Se por parte de Gilberto se encontre alguma justificação, devido aos seus problemas físicos, o mesmo já não se pode dizer de Flávio, jogador batalhador, influente, sabe reter a bola, jogar para a falta, desassossegar o adversário. Enfim, Flávio tinha tudo que nos faltou naqueles instantes dramáticos. Mantorras faria certamente melhor figura que Love Kabungula. Mantorras é colega de jogadores de craveira no Benfica de Lisboa e com eles aprende muita coisa que nos poderia ser útil. Quando deveríamos injectar jogadores maduros, optamos pela fogosidade dos mais jovens. Faltou-nos até um cheirinho daquela malícia piedosa que abunda no futebol. Por momentos, a nossa rapaziada avançava destemidamente, como se quizesse marcar mais golos e chegar à cabazada. É certo que, eventualmente, o poderiam ter conseguido. Mas o que sucedeu foi o reverso da medalha. Demos a espalda, tropeçamos nos nossos próprios pés e quando demos por ela (será que demos?) estávamos envolvidos pela reviravolta vertiginosa dos malianos. E aconteceu a CANelada "atípica". Assim se fez história. Quando o árbitro deu por finda a partida toldou-nos aquela estranha sensação de vazio, de perda e até de derrota, se quisermos, embora tenhamos conseguido "in extremis" segurar o empate.
     Quanto a mim saíu ganhador o Desporto que mostrou a sua pujança e a sua nobreza. Agora nada de choros nem tristeza. Descomprimir do "stress pós-traumático" e afinar a pontaria para o próximo jogo. Não existem jogos fáceis.
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Estádio de Ombaka: O Orgulho Benguelense sai do sonho

                                Estádio de Ombaka (I)

Em 2007 o sonho  ganhava  os primeiros contornos. O local escolhido foi um canavial do perímetro agrícola da antiga Açucareira "Kassequel", no enfiamento da estrada Lobito/Benguela, agora também totalmente reabilitada. A empreitada foi entregue à empresa chinesa "Sinohydro". Betão, ferragens, vidros, gruas, basculantes, escavadoras assenhoraram-se do local. A meta estava traçada: construir um estádio m oderno a fim de albergar um dos grupos do Campeonato Africano de Futebol, agora chamado CAN- ORANGE ANGOLA 2010, a realizar-se em Janeiro.

                                 Estádio de Ombaka (II)

Dia 25 de Dezembro de 2009. Manhã de Natal. O sonho estava concretizado. Benguela ganhou o estádio que há muito merecia. Fui visitar o estádio e o pessoal estava empenhado nos pormenores dos acabamentos. É obra. Como angolano senti-me orgulhoso. Não pude deixar de pensar na máxima de Obama: "Yes, we can". Sim. De facto, nós podemos. Mas só podemos quando queremos.Quantas vozes cépticas se levantaram, quantos pregadores e anunciadores de desgraças alheias minimizaram a capacidade de realização? A obra está aí e fala por si. Podem esgrimir-se desacordos sobre o preço cobrado pelos empreiteiros, ou sobre a oportunidade da obra, face a outras necessidades prementes, no âmbito da Reconstrução Nacional. Claro que é chato ir ver a bola no estádio novo e depois  encontrar tudo às escuras em casa porque a "luz foi". Todavia, agora não é o momento para discursos desagregadores. É o nome de Angola que está nas bocas do mundo e vamos fazer tudo para merecermos ser falados, pela positiva, claro. A inauguração do "Estádio Nacional de Ombaka" está marcada para Segunda-feira, 28. Lá estaremos para apreciarmos a nossa beleza: 35 mil lugares, parque para 2 mil e 500 viaturas. Acessos modernos e ligados à rede ferroviária e rodoviária. A hora da verdade acontecerá no dia 12 de Janeiro de 2010. Às 17h30 (hora local) as fortes selecções do Egipto (campeã) africana) e as poderosas Super-Águias da Nigéria baixarão ao relvado para protagonizarem o primeiro trumuno no "Estádio Nacional de Ombaka". Se Deus quiser, lá estaremos.


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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Futebol: Equipas de Benguela baixaram de divisão, e agora?

    
Os adeptos do futebol e o povo da província de Benguela ainda não conseguiram digerir a triste realidade: A Académica do Lobito e o Primeiro de Maio de Benguela, equipas que disputaram o último girabola, não conseguiram permanecer entre os grandes, no termo do campeonato. A Académica ficou logo afastada por não ter conseguido pontuação, enquanto o Maio ainda teve a oportunidade de disputar uma "liguilha" que apurou e repescou duas equipas para a I divisão. As nossas não conseguiram. Foram despromovidas.
     Agora estoirou o verniz e todos gritam. Os mais avisados dizem que o descalabro do desporto na província começou de há uns anos a esta parte. Andebol, voleibol, xadrêz (Benguela teve 2 campeões africanos de juniores). No volei e andebol vários títulos nacionais. O Próprio Maio que agora navega nas águas da amargura, já foi campeão nacional e vencedor da Taça de Angola. Tempos bons! Maluka, Fusso, André, Sarmente, Mira, Daniel. Tudo agora veio por água abaixo. Restava mesmo o futebol, tal "Ópio do Povo", que agora também foi à vida, justo no ano que a nossa amada província ganhou um estádio novo que é uma verdadeira banga e outros três completamente remodelados. Agora fica como? Os brincalhões aproveitam a deixa: depois do CAN os estádios ficarão para jogos do gira-bairro ou partidas para veteranos, vulgarmente chamadas de "tira-barriga", nas quais os jogadores bebem cerveja durante o intervalo e os suplentes têm disponíveis caixas térmicas em frente ao banco carregadas de fresquinhas, enquanto as panelas de caldo e sarrabulho estão em lume brado na casa de algum patrocinador.
     O que causou comoção, foi o ver o vice-presidente do Primeiro de Maio, o nosso amigo Rui Araújo, chorar baba e ranho de todo tamanho frente às câmaras de TV, após o empate com o Kabuscorp do Palanca, no último Domingo e que ditou o afastamento. Disse que as autoridades do país, deveriam ponderar a situação de Benguela que ele chamou de "especial". "O nosso governo não pode aceitar que Benguela, uma província tão importante, fique sem nenhuma equipa no campeonato da I Divisão, porque senão, vai acontecer vermos cabritos a comerem a relva no novo estádio e nos outros" e isso não é bom para a imagem do país, lamuriou o pobre do nosso amigo que, segundo as más línguas, chegou a pedir a intervenção da Presidência da República, para intervir administrativamente na permanência do Maio no Girabola por "razões e interesses superiores do Estado". Se o povo não fôr ao campo ao Domingo, as pessoas vão começar a pensar noutras coisas, como a política por exemplo e "isso também não é bom para nós, porque o povo já anda meio descontente com alguns mambos que estão a suceder".
    Então, como ficamos tio Rui? Onde está a verdade desportiva? Não é o desporto a arena por excelência para se forjarem Homens de verdade? Os tais, que podem ser úteis para um país que procura o Amanhã-Que-Está-Sempre-Por-Vir?
     Altamente pressionado pela sociedade, o director provincial dos desportos veio anunciar para finais do mês de Novembro um encontro para "vermos onde falhamos e trabalharmos em conjunto para fazer renascer a mística de Benguela no desporto". Granda lata! A direcção de desportos virou, de há uns bons anos a esta parte, a sua bússula para outros Nortes, que não a defesa do desporto. O que estamos a ver a consequência e não a causa. Por favor Pedro Garcia, poupe-nos. Foste um bom atleta, bom defesa, muita classe, mas no dirigismo desportivo estás como um esquimó perdido no deserto do Sahara.
    Chamem os verdadeiros homens do desporto, aqueles que amam verdadeiramente o desporto e eles estão aí: Norberto Batista, José Rocha, Bertelim Nelson, o Cardoso, o João, o Pepp Santos, o Mário Neves. Corramos com os paraquedistas que vieram para o desporto como autênticos "caça-níqueis". Ali sim, é que vamos ver, como dizia o Minguito.
    Enquanto isso...VIVA O CAN 20010 !
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Obras dos estádios estão na recta final


A sensivelmente dois meses do prazo estabelecido para a conclusão do estádio de futebol que na cidade do Lubango, província da Huíla, vai acolher uma das quatro fases de grupo do CAN-2010, a Sinohydro Corporation Limited, construtora responsável pelas obras, tem quase tudo pronto para proceder à entrega formal do empreendimento ao dono da obra, o Ministério das Obras Públicas.


No bairro Chioco, homens e máquinas não medem esforços para dar os últimos acabamentos ao novo estádio, que sob o olhar atento do Cristo Rei surge imponente como um dos principais postais da cidade do Lubango.

Segundo Egídio Armando, fiscal da obra, está executada 95 por cento da empreitada. As bancadas estão todas concluídas e já foi montada parte dos assentos de plástico. O empreiteiro garante concluir a montagem de outra parte dos assentos até meados do próximo mês de Setembro.

Os dois placards electrónicos também já foram instalados, assim como já estão concluídas a área VIP, as cabines de imprensa e os balneários. O rectângulo de jogo está compactado e em toda a sua extensão foi espalhada gravilha, um material que intervém no processo que conduz ao arrelvamento.

De acordo com George Ansh, técnico da Support in Support (SIS), empresa inglesa que tem a responsabilidade de arrelvar os estádios do CAN, estão criadas as condições para que o rectângulo de jogo possa receber a primeira das duas camadas de areia que antecedem a fase da sementeira da relva. Assegurou que, se não se verificarem contratempos, no dia 28 de Agosto a semente começa a ser lançada ao solo.

A água, que está a ser bombeada para o estádio através de um complexo processo de engenharia, não tem constituído problema. Mas, para se acautelarem de eventuais falhas no futuro, foram construídos quatro reservatórios, dois dos quais com 520 mil litros de capacidade.

Egídio Armando acrescenta que a estrutura que suporta a cobertura do estádio recebe nos próximos dias as chapas térmicas perfiladas, que vão dar ao conjunto da obra o aspecto previamente definido.

O espaço envolvente também ganhou a configuração projectada para o estádio, com a conclusão do parque de estacionamento e de outros adereços. Egídio Armando adianta que o trabalho se limita à colocação do asfalto e sinalização vertical e horizontal do pavimento. Quando estiver todo o trabalho concluído, a área envolvente vai dispor de 2.069 lugares de estacionamento para viaturas ligeiras e pesadas e ainda uma ampla zona verde.

O projecto de construção prevê também três vias rodoviárias de acesso ao estádio. Com três quilómetros, a via principal terá oito metros de largura em cada sentido, dividida por um separador central de metro e meio, passeios, lancis e iluminação. A terraplanagem está praticamente no fim e a empreitada virada sobretudo para o acabamento do colector central das águas pluviais. Para Setembro, o empreiteiro programou a colocação de asfalto ao longo do troço.



Estádios de apoio



O conjunto de obras com vista à realização do CAN contempla também a reabilitação e modernização dos estádios da Nossa Senhora do Monte, Benfica do Lubango e do Ferroviário, três dos campos de futebol onde as equipas que jogam na província da Huíla vão realizar os treinos.

Qualquer um deles está a ser ampliado e remodelado. O engenheiro Rolando Sanchez, que fiscaliza essas obras, confirma que as melhorias se estenderam no aumento da capacidade de espectadores, modernização dos balneários, cobertura, cabines de imprensa, pintura das fachadas, assim como a instalação de um moderno sistema de drenagem.

No estádio do Ferroviário, as torres de iluminação foram recuperadas. Em traços gerais, admite que não existem grandes sobressaltos. Apenas o estádio do Benfica tem as obras ligeiramente atrasadas.



Entrega dentro do prazo



As obras do estádio em construção na comuna do Camama, em Luanda, despertam a curiosidade pela impressionante dimensão e pela sua componente arquitectónica.

Só para se ter uma ideia, o estádio foi concebido para receber, confortavelmente, 50 mil espectadores sentados, sendo a maior estrutura das quatro que acolhem os jogos do CAN. No terreno, os operários, afectos à construtora Shanghai Urban Construction Group Corporation, obedecem a uma escala ininterrupta de trabalho, para que a obra seja entregue na data acordada, como assegurou o engenheiro Rui Campos, fiscal da obra.

Rui Campos garante que o grau de execução ronda mais de 80 por cento, o que está dentro dos prazos acordados com o dono da obra.

Os avanços são visíveis. As bancadas e os balneários estão prontos, e as atenções estão agora viradas para o revestimento das casas de banho. “As partes mais importantes que faltam são os últimos acabamentos. Praticamente todas as instalações técnicas encontram-se a 95 por cento, faltam apenas as últimas ligações de ensaio”, disse.

A energia eléctrica e o abastecimento de água estão garantidos. Iniciou-se recentemente o processo de arrelvamento, que incide na compactação dos solos e abertura de valas para implantação da tubagem que vai sustentar o sistema de rega automático no terreno de jogo.

Ao contrário daquilo que está a ser feito nos restantes estádios, o plano traçado no estádio de Luanda compreende a implantação da relva para prevenir danos devido às obras que ainda decorrem. Para o efeito, a empresa SIS preparou um viveiro ao redor do estádio. O dia 4 de Setembro é a data prevista para o início desta operação. Dentro de 14 semanas, após esta data, espera-se que o estádio esteja todo relvado. Em relação à zona envolvente, Rui Campos diz que as entradas de controlo, zona de jardinagem e estacionamento são as prioridades.





Expectativa em Benguela



A plantação das primeiras sementes para o seu arrelvamento no passado dia 19 de Agosto, é a novidade que mais anima quem acompanha com atenção as obras que decorrem no estádio que está a ser erguido no bairro da Nossa Senhora da Graça, na cidade de Benguela.

Segundo George Ansh, da Support in Support, fruto da experiência que possui, 14 semanas é o tempo que se vai aguardar pelos resultados. Mas, para que tal aconteça com naturalidade, adverte que é fundamental que não haja falta de água para a rega.

À semelhança dos demais estádios visitados pelo ministro das Obras Públicas, a estrutura do estádio em construção na cidade de Benguela não esconde as semelhanças com os estádios modernos da Europa. A disposição dos dois anéis das bancadas centrais e laterais é apenas um exemplo disso. O mesmo acontece com os acessos especiais para deficientes. Para reforçar o seu moderno aspecto arquitectónico, as chapas perfiladas da estrutura de cobertura começaram a ser montadas na passada semana.

A empreitada da envolvente do estádio, que teve início no passado dia 15 de Maio, termina com a recuperação de passeios e lancis para o acesso de peões, e um vasto parque de estacionamento com capacidade para mais de dois mil automóveis. Concluída a desmatação do terreno, a equipa de engenheiros explica que está em execução a colocação da tubagem em betão armado que vai suportar a galeria de drenagem de águas pluviais, devido a configuração demasiado baixa da zona em que se encontra localizado o estádio.
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