quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os eventos de Novembro de 1975: subsídio de Nando, antigo combatente do MPLA

     Conheço bem o Sr. Nando. Há mais de 30 anos. Trata-se de um antigo combatente do MPLA,  chegou a ter funções de  responsabilidade na hierarquia militar do movimento na época a que aludimos, na Frente Centro. O seu subsídio postado nos comentários, merece ser plasmado aqui para "poupar trabalho" aos interessados.
     Nando, meu camarada, muito obrigado. Contudo, foste parco nas palavras, embora eu tenha outros contributos teus, incluindo as fotos daqueles tempos que enviaste e que me permitiste usar, quando for caso disso. Abraço.
O teor do comentário do Nando:

     "Depois de tantos anos mantenho intactos na memória esses dias terriveis de frustação.Conheci bem a maior parte dos camaradas de que fala, o corpulento Ngakumona,(com quem sempre discutia porque poupava muito nas munições) o Basovava com quem trabalhava nas operações, tambem o Pepe, o Chipenda, o Segão, o Pena, o Chinganeca e claro o Kasssanji entre outros.
      Fui ferido na Caluita(Balombo) onde ao que sei, se perdeu o primeiro cubano (Rigoberto Balcinde)um oficial instrutor e fui levado para Luanda à ultima da hora pela Chimboa levado pelo Victor enfermeiro.Se não fosse ele, teria ficado no hospital em Benguela onde se "esqueceram de mim".
     Lembro que foi o comandante Mbeto Traça quem mandou arranjar combustivel para poder ser evacuado, pois chegados ao Sumbe a gasolina acabou.
     Passados 12 anos, no dia 23 de Julho de 1986, foi o então Ten.coronel Mbeto Traça quem como chefe do DOM assinou o meu passaporte de disponibilidade.Estive com ele algumas vezes durante esses anos e a opinião que tinha é a que mantenho hoje, um homem de caráter que merece bem as estrelas de general,ao contrário de outros que naquela altura e mesmo depois não eram nada xambetas a dar corda às botas quando a chuva era de pregos.
     Aos que já partiram ,e foram muitos,os meus respeitos e gratidão.
Nando
26 de Abril de 2011


7 comentários:

Anónimo disse...

aló Nando; Azulai!
Quando se falar da Caluita é preciso levar mais longe esse nome nesse tempo para que os nossos dirigentes saibam a importância dessa dessa localidade na defesa do avanço dos racistas Sul Africanos.
A pessoa a quem devemos render homenagem por hoje fazer parte do mundo dos vivos é o Tio Victor como é chamado, que foi membro do Comité Provincial do MPLA, que levou os Primeiros Cubanos lá. o comando dessa frente militar estava sobre as ordens do Encaka; Joanito que tombou na Caluita, havia um bom número de Catangueses, o nosso Fefé de Benguela também levou um tiro. Sobre essa frente muito há por se falar.
Jaime não esqueças de contar para a história o que foi vivido em Benguela em 92/93 para que sejam sempre lembrados os verdadeiros patriotas no sentido verdadeiro da palavra e náo os opotunistas que daí tiram alguns dividendos.
Procura pelo Neto (Pecos)que trabalha na LUPRAL para te contar uma aventura de 1975 no avanço a Ganda.
Um abraço

Um abraço

Anónimo disse...

Meu mais velho Nando comandante do batalhão.
Eu sou o Pascoal Sapalo Chavite chefe do pelotao 2 do batalhão das oprações especiais do Kasseque.Pode lembrar quando me foi buscar no grnde combate eu mais ao Jacaré que ficamos feridos no combate do Cubal e nos deicharam ficar no terreno.Voce foi na chitaca pegou no tractor e nos carregaste com muitos tiroteios até furaram a roda.Pensava eu todos vamos morrer nesse dia e o nando berrava ninguem vai morrer caralho.Até hoje estou mutilado mas ageadeço ao meu comandante Nando a vida naquele ano 1975 todos tiveram medo menos voce.Os militares falavam que tinhas feitiço porque eras branco as balas não entravam. Mentira que eu vi com os meus ollhos que na chimboa da Ganda a unita no combate deram-te um tiro na cabeça . O Chipenda e a Carlota foram te levar no avião para Luanda já estavas meio morto.com a grça de Deus não morreste.Sempre ameaçavas com cadeia os chefes quem não recuperava os militares no combate morto ou ferido não pode ficar no terreno.Muito obrgado meu grande comandante mesmo que seja muito velho nunca que vou equecer um homem destimido como voce

Anónimo disse...

Que me desculpe o Jaime, mas não podia deixar de mandar um abraço a estes companheiros, principalmente ao Chavite.Só agora reparei nos comentários e embora muitos anos tenham passado ainda há e haverá algumas marcas difíceis de ultrapassar porque físicas ou psicológicas só acabarão quando nós acabarmos. Também não esquecerei caro Chavite apesar de eu na altura ser um jovem e tu pouco mais que um rapazinho acabado de sair do CIR, esses momentos ficarão na nossa memória para sempre. No caso concreto, o dia começou muito mal, pois o homem do galo negro que em cima do telhado da rádio do Cubal manejava a Breda M37 era um exímio atirador. Na primeira rajada fez três baixas tu, o Jacaré e o Pedro Samahonga que viria a falecer mais tarde devido ao ferimento. O Samahonga(bazuqueiro)do RPJ7 um grande Guerreiro chokwe,já me acompanhava desde do leste, toda a sua família era da Unita e tinha vindo comigo porque dizia "não quero matar um dos meus irmãos".Como deves saber, ao meio dia já o Cubal estava em nosso poder e atirador da breda acabou por ter ainda menos sorte que tu. Enfim Chavite, a guerra acabou felizmente e hoje não há mais razões para guardar rancores, o que passou passou já nada podemos fazer para o mudar. É o futuro que interessa e este passado, é apenas isso mesmo, passado do qual nos devemos sentir honrados, mesmo que também da nossa parte nem tudo tenha sido bem feito.
Um grande abraço
Nando

João Ribeiro disse...

Sr. Jaime Azulay, Sr. Mbeto Traça, a todos que estiveram e fizeram parte do texto redigido sobre os dizer encaminhados pelo Sr. M`beto Traça. Ilustres Sr´s. Venho neste humilde e singelo comentário agradecer de enorme coração e de tamanha Gratidão ao Sr M´Beto Traça por ter mencionada carinhosamente o nome de minha querida e Falecida Mãe que Deus a Tenha Bela Russa (Anabela de Jesus Gomes). Eu sou o João Gilberto Gomes R. nascido aos 29 de Julho de 1978 na cidade do Huambo Filho Primogénito da Sra. Bela Russa. Quero aqui relatar alguns factos que muito me magoam o coração e me destroçam a Alma. Sou o Filho Mais velho da Bela. A Minha mãe em 1976 conheceu o meu Pai, no qual tiveram um relação de 3 anos e 5 dias após eu nascer o meu Pai separa-se da minha Querida Mãe tirando-me dos braços dela e entregando-me para a minha Falecida Avó Mãe do meu Pai. Eu só depois quando já tinha os meus 5 anos de idade vou conhecer a minha Querida Mãe no Lobito em 1983 saindo do Huambo ah Catumbela de Helicóptero. Vi a minha querida mãe ficando com Ela por apenas algumas Horas, aonde também estava a minha tia Paula Russa e a minha Tia Linda. Após esse Episódio, a vida separou-me da minha Mãe por longos 21 Anos no qual só em 1996 comecei a ter alguns contactos com ela por carta estando Ela em Portugal a Lutar pela sua vida por Causa do Cancro e Eu no Brasil a fazer os meus estudos.

João Ribeiro disse...

. Quando a vida preparou o momento certo para que eu fosse conhecer a minha querida Mãe no qual fez de tudo para não morrer sem que eu a conhecesse primeiro e sem que Ela olhasse nos meus Olhas o que era para ser para mim um ou dois meses de férias em Portugal transformou-se em 2 longos anos de dor, depressão e muita tristeza em minha vida. Eu Chego a Portugal no dia 17 de Dezembro de 2005, vou ficar instalado na casa do meu Primo Pedro em Queluz/Belas e louco para ver a minha Mãe que vivia no Monte Abrão nos prédios novos. Descanso neste dia e no dia seguinte avanço para ir ao encontro da minha querida Mãe. Meus irmão, meus amigos, Sr´s. Ao entrar naquela casa, ao ir de encontro a minha Querida Mãe Eu deparo-me com uma pessoa Extremamente magra pesando cerca de 22 a 26 kg, muito pálida, com um imenso sorriso largo no rosto e ai eu não soube aonde colocar os meus Pés. Naquele momento eu tentei ser forte para não chorar, em ver a minha Querida mãe ali, tão frágil, tão pronta a partir desta vida que as primeiras palavras que Ela me disse foram: "Meu Filho, Agora a Tua Mãe já pode partir em Paz"... Meu Deus o que eu podia fazer para não permitir que a morte levasse a minha Mãe, a pessoa pela qual eu chorei durante 21 anos sem a ter, a mulher que havia deixado um vazio enorme em meu coração santo Deus Pai Misericordioso o que eu posso fazer pela minha Mãe? Ali sem muito dinheiro, comecei a trabalhar no dia 20 de Dezembro em um Ginásio na Amadora chamado "Centro de Condição Física Agostinho Ferreira" um Capitão da GNR. Dava Aulas de dança de Salão e Aulas de Monitoração de Musculação. Ganhava 800 Euros, no dia 05 de Janeiro de 2006 comecei a trabalhar também com o Rui meu Padrasto na sua Rullote em Algés. Das 22 hs. ás 05 da manhã. Recebia 600 Euros. Mas esse pouco dinheiro era insuficiente para que eu pudesse pagar os meus gastos e ajudar a minha mãe, uma vez que ninguém se predispunha a ajuda-la e nem o próprio marido que já havia se fartado dela.

João Ribeiro disse...

Então segundo algumas orientações da minha querida mãe, fui procurar o Sr. M´beto Traça no Edifício aonde estava o Centro Diplomático de Defesa de Angola em Portugal qualquer coisa assim já não me recordo bem... Quando lá cheguei com os documentos todos hospitalares da minha Mãe para ver se conseguia alguma ajuda havia sido informado que o Sr. M´beto Traça já havia regressado para Angola. O Meu coração apertou e vi a Esperança Morrer. Infelizmente todos os esforços que eu fiz foram em Vão, no dia 20 de Abril de 2006 por volta das 06:20 da manhã a minha querida Mãe vem a Falecer. Hoje estou aqui em Angola meu País,



tentando lutar pela minha vida, procurando buscar que me ajude a puder exaltar e proporcionar a lembrança da memória da minha Falecida Mãe, então a todos que a conheceram eu peço por favor de todo o meu Coração que me ajudem a buscar os Direitos que me Cabem para mim e para os meus outros 8 irmãos os nossos direitos como filhos perante as Forças Armadas Angolanas e perante o Nosso Governo para que não se percam as memória daquela que por um dia acreditou na liberdade deste País que é a nossa Pátria e que bravamente lutou e se esforçou para puder ajudar assim como tantos outros grandes nomes e pessoas para que hoje possamos desfrutar desta maravilhosa Paz e deste Imenso e Esplêndido recomeço de uma Nova Angola. Por Favor Ajudem-me pessoal. Eu Sou o João Gilberto Gomes R. (Jika) Filho Mais velho da Falecida Bela Russa Nascida aos 25 de Fevereiro de 1961 que Hoje teria os seus 54 Anos de idade se não fosse o Câncer no meio do Intestino Delgado que a Levou para sempre fruto de uma vida de muitas lutas, e má alimentação e ma qualidade de vida circunstâncias da época e de suas ocasiões. Obrigado que Deus abençoe a Todos e que Deus Abençoe Angola.

João Ribeiro disse...

Por favor o meu contacto é o: 00244. 923. 942. 871 ou o 936.118.279 Os meus e-mails são: jggrprojetosangola@gmail.com ou o jonnybillribeiro@gmail.com por favor quem puder entre em contacto comigo o meu Muito Obrigado.